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Bernadette Soubirous

By In Geral, Santuários Marianos, Vida dos Santos On 24/08/2019


Atualizado em 17/03/2022

Marie-Bernarde Soubirous (conhecida por todos no dialeto como Bernadette), primogênita de seis filhos, nasceu em Lourdes em 7 de janeiro de 1844. Com a perda do moinho onde moravam, sua família foi forçada a se mudar para o andar térreo de uma prisão desativada, um lugar insalubre para a saúde de Bernadette, que sofria crises de asma. Nessa prisão os Soubirous viveram de junho de 1856 até o outono de 1858.

Em 11 de fevereiro de 1858, aos 14 anos de idade, essa adolescente indigente, sem instrução, que nem sequer foi considerada digna de fazer a primeira comunhão, porque não alcançou bons resultados na catequese afirmou que lhe apareceu uma moça sorridente.

Naquele dia Bernadette foi à gruta de Massabielle com sua irmã e um amigo para buscar lenha. Ela ficou para trás, e enquanto tirava as meias para atravessar o rio, sentiu como uma rajada de vento que atraiu sua atenção: parecia estranho para ela, porque o ar estava calmo por toda parte.

Desta forma, a primeira das 18 aparições aconteceu. Bernadette de modo algum afirmou ter falado com a Virgem Maria. Assim que a notícia se espalhou, Lourdes imediatamente se dividiu em dois campos; entre críticos e entusiastas.

Bernadette revelou que foi acusada por aquela criatura celestial de orar pelos pecadores: a “Senhora” pede oração, conversão, penitência. E aos sacerdotes para virem à caverna em procissão e construir uma capela ali.

Entre os céticos também havia o pároco de Lourdes, Padre Peyramale, mas ele próprio não pode deixar de notar que as visitas à caverna de Bernadette intensificaram o fervor religioso e aproximaram um pouco mais a fé. No entanto, ele se mostrou cauteloso diante do fenômeno, e às vezes até escandalizado diante de algumas expressões da menina, como quando na caverna cavou na terra, bebeu com repugnância a água escura que saiu do chão, sujou o rosto com lama e comeu grama como os animais.

Com a água da nascente encontrada pela menina, muitos doentes foram milagrosamente curados. E até mesmo um gesto sem sentido como comer grama, em uma leitura mais profunda, é interpretado por René Laurentin (o maior especialista mundial em aparições marianas) como um gesto profético, como o de João Batista que se alimenta de raízes selvagens ou ervas amargas consumidas pelo povo judeu antes do êxodo do Egito: um gesto simbólico que é inserido na tradição bíblica como um ato de mortificação do corpo através do jejum. Uma espécie de ato físico purificador, preparatório para a conversão do coração e estilo de vida. É por isso que Bernadette beija a terra: segundo Laurentin, como sinal de humildade e para recordar a fragilidade da condição humana, em memória de Adão moldado pela terra, mas culpado de orgulho por não ter obedecido a Deus.

Quando as aparições terminaram, feliz em ver reconhecida sua autenticidade, aos 22 anos, Bernadete entrou no noviciado das Irmãs da Caridade de Nevers, entre Lyon e Paris, mas incompreendida por suas irmãs e tentada fisicamente por uma saúde que não melhorava. Nossa Senhora havia profetizado: “Eu não prometo fazer você feliz neste mundo, mas no outro”.

Bernadette morreu em 16 de abril de 1879, aos 35 anos, de tuberculose. Hoje ela é a santa padroeira dos doentes, precisamente porque sua vida foi marcada pela doença. Até hoje, o corpo de Bernadette Soubirous repousa na Igreja do Convento de São Gildard, em Nevers, inexplicavelmente incorrupto, mesmo em seus órgãos internos, em um sarcófago de vidro.

Bernadette foi beatificada em 1925 e canonizada em 1933 por Pio XI, por sua conduta na vida e suas heróicas virtudes, e não por ter recebido o privilégio de ver Nossa Senhora. Em uma França secularizada após o século do Iluminismo, o baluarte de Lourdes resiste, o principal santuário de peregrinações marianas no mundo.

Santa Bernadette, rogai por nós!


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