"Eu te bendigo, Pai, (...) porque escondeste estas coisas dos sábios e dos inteligentes e as revelaste aos pequeninos" (Mt 11,25).
Conheça a história dos Pastorinhos de Fátima:
Francisco dos Santos Marto nasceu em 11 de junho de 1908 em Aljustrel, um lugar na serra, freguesia de Fátima, região de Ourém, distrito de Santarém. No dia 20 do mesmo mês, ele foi batizado. Os pais, Manuel Pedro Marto e Olimpia de Jesus, eram camponeses. Olimpia, ao ficar viúva, casou-se com Manuel Marto e teve cinco filhos: Francisco, o penúltimo e Jacinta, a última. Com os dois filhos do primeiro matrimônio, Olimpia teve nove. Francisco e Jacinta eram primos de Lúcia porque sua mãe Olimpia era irmã do pai de Lúcia, Antônio dos Santos. Francisco tinha dois anos quando, em 5 de outubro de 1910, Portugal se tornou uma república.
Francisco, o contemplativo
Quarto de Francisco (Valinhos/Portugal)Valinhos, em Portugal
Em 1916, aos sete anos de idade, começou a levar o rebanho para o pasto, junto com sua prima Lúcia. A pequena Jacinta se juntou a eles. A poucos passos das casas baixas ou mais adiante, para Valinhos, ou Loca do Cabeco e para a Cova da Iria, de propriedade da família de Lucia, onde havia grama abundante para o rebanho próximo ao trigo.
Em 1916, a guerra grassava na Europa e os jovens da serra também haviam sido chamados às armas. Três vezes o Anjo da Paz, o Anjo de Portugal, visitou os três pastores. Na primavera o Anjo parecia um jovem de 14 ou 15 anos. Ele ensinou-lhes a oração de adoração: “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”.
Valinhos, em Portugal
Francisco tinha quase oito anos de idade. Enquanto Lucia viu, ouviu e falou, e Jacinta viu e ouviu, Francisco apenas viu. Mas é precisamente essa circunstância, um pouco humilhante especialmente para a irmã mais nova, que destaca a grandeza da virtude de Francisco. No verão, o Anjo de Portugal apareceu no poço da casa de Lucia e disse aos pastorinhos que orassem muito e oferecessem sacrifícios. Essa ansiedade de reparação que é enxertada em uma natureza tão bem disposta à compaixão e sacrifício, se tornará a alma da vida espiritual de Francisco, um dos videntes de Nossa Senhora de Fátima.
Acometido pela febre espanhola que se alastrou por Portugal em 1918, depois de um longo tempo no hospital, teve o seu rosto iluminado por um sorriso maravilhoso e, sem sofrer, o pastorinho de Aljustrel passou a contemplar no Céu aquele "Jesus escondido" que tanto amara na terra. Era 4 de abril de 1919. Foi sepultado no cemitério paroquial, onde permaneceu até 13 de março de 1952, quando foi trasladado para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima.
Jacinta, a flor do perfume da compaixão
Jacinta, irmã mais nova de Francisco, nasceu em 11 de março de 1910, sendo batizada no dia 19. Era a época do confronto entre a nova república e a Igreja. O anticlericalismo, que felizmente não tocou o ambiente da serra, prevaleceu. O pai, Manuel Pedro Marto, esteve em Moçambique durante as lutas coloniais. Ele era um homem de profunda fé, de devoções sentidas, que transmitiu a seus muitos filhos. Ele era um cristão, que com o povo de Aljustrel aos domingos frequentava a igreja de Fátima e participava de feriados religiosos.
Peregrinos da SacraTour em visita à Valinhos (Portugal)
Jacinta era uma criança como todas as outras. Brincava, queria sempre ganhar, também gostava de tomar os cordeirinhos, que colocava de bom grado ao redor do pescoço imitando a imagem do Bom Pastor que havia sido mostrado a ela. Em 1916, com Lucia e Francisco, recebeu a visita do Anjo da Paz de Portugal. Ela tinha apenas seis anos quando, imitando o Anjo, aprendeu a se curvar à terra em adoração. Ela experimentou as aparições impressionadas pelo rosto gentil de Nossa Senhora, pela insistência de orar pelos pecadores, do chamado à penitencia. Jacinta viu que não era preciso ganhar sempre, que tinha quem sofria profundamente e que ela podia colocar a sua vida em oração por essas pessoas.
Peregrino SacraTour em visita à Valinhos (Portugal)
Durante a doença de Francisco, Jacinta foi atingida pela febre espanhola, mas não fez pesar sua enfermidade a seus entes queridos, em vez disso tentou fazer convergir todas as atenções para seu irmão mais novo.
Peregrina SacraTour em visita à Valinhos (Portugal)
Um pouco menos de um ano após o falecimento de Francisco, no dia 20 de fevereiro de 1920, conforme a predição recebida de Nossa Senhora sobre os seus últimos dias, Jacinta partiu desta terra rumo ao céu, com apenas 7 anos de idade. Atualmente está sepultada na Basílica de Fátima e seu corpo encontra-se incorrupto.
Lucia, uma vida traçada por Nossa Senhora
Lucia (Fátima/Portugal)
A família era simples, profundamente enraizada nos valores cristãos, rica em humanidade e aberta às necessidades dos outros. Maria Rosa era a catequista da paróquia. Ele sabia ler, como poucas mulheres na época, e, apaixonada pela Bíblia, relatava os episódios para os filhos. Lúcia recebeu sua primeira comunhão em 30 de maio de 1913, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na igreja paroquial de Fátima. Aos sete anos e meio ela começou a trazer o rebanho da casa para o pasto. Mais tarde, juntaram-se os primos Francisco e Jacinta, com quem havia uma profunda harmonia, apesar de terem personalidades diferentes.
A aparição do Anjo aos três pastorinhos de Fátima (Portugal)
Em 1916 ela recebeu a visita do Anjo da Paz de Portugal com quem ela só podia falar. Em 1917, vieram as aparições de Nossa Senhora. Aos 16 anos foi admitida nas Filhas de Maria e decidiu consagrar-se a Deus com o voto de castidade perpétua. No Asilo de Vilar, ela passou quatro anos, o que marcou sua vida, sobretudo porque teve que viver no anonimato e sem poder continuar seus estudos.
Quarto de Lucia (Valinhos/Portugal)
Peregrino SacraTour em visita à Valinhos (Portugal)
No verão de 1925, ela sentiu um forte desejo de ser religiosa e falou com sua mãe. Passaram momentos felizes juntas, recordando fatos e episódios da casa, de aldeia em aldeia, cantando as melodias da serra. Também recebeu confirmação naquele ano. O desejo de se tornar uma carmelita estava sempre vivo nela, mas somente depois de viver anos no convento das Irmãs de Santa Dorotéia, finalmente, em 25 de março de 1948, na solenidade da Anunciação, ela pôde entrar no Carmelo de Coimbra e no dia 13 de maio recebeu o vestido carmelita.
Em 31 de maio de 1949, fez votos solenes de pobreza, castidade e obediência. E nesta data, a ela foi atribuída uma cela, onde viveu por 57 anos, até sua morte em 13 de fevereiro de 2005. Ela era simples, generosa e sorridente. Trabalhou em conjunto, com grande liberdade de espírito; cuidou do jardim e respondeu a todos aqueles que lhe escreveram de todo o mundo. Fala-se de dez mil cartas. Acredita-se que ela tenha recebido outras visitas do céu. Infelizmente, ela não deixou nenhum registro escrito.
Portugal
Ela se encontrou em Fátima com Paulo VI em 13 de maio de 1967. Na Cova da Iria a multidão era imensa. Albino Luciani, futuro João Paulo I, conheceu-a no dia 11 de julho de 1977 no Carmelo de Coimbra. João Paulo II conheceu-a em Fátima em 1982, 1991 e 2000, por ocasião da beatificação de Francisco e Jacinta. Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação da Fé, futuro Papa Bento XVI, visitou-a no Carmelo de Coimbra em outubro de 1996.
Casa de Lucia (Valinhos/Portugal)
O corpo da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Imaculado Coração, foi sepultado no claustro do Carmelo de Coimbra. Em 19 de Fevereiro de 2006, um ano após sua morte, seu corpo foi colocado na capela à esquerda, olhando para o altar de Nossa Senhora da Basílica do Rosário, ao lado de sua prima Jacinta.
Canonização de Francisco e Jacinta
Pintura Oficial da Representação de Francisco
Pintura Oficial da Representação de Jacinta
Eles são as primeiras crianças não martirizadas a serem proclamadas santas. Os primeiros em dois milênios da história da Igreja. 13 de maio de 2017 foi a data escolhida para a canonização dos dois pastorinhos de Fátima: Francisco e Jacinta Marto. Neste mesmo dia no ano 2000, João Paulo II celebrava sua beatificação. O Papa Francisco, durante a sua visita a Portugal, por ocasião do centenário das aparições marianas, elevou-os à gloria do altar durante a celebração eucarística realizada na praça em frente ao Santuário de Fátima.
O dia escolhido para a celebração da festa dos santos irmãos foi o dia do falecimento de Santa Jacinta, 20 de fevereiro. Aqui no Brasil a data passou a ser feriado municipal na cidade Campo Mourão, no Paraná, cidade onde nasceu Lucas, a criança que o Vaticano aceitou o milagre por intercessão dos pastorinhos para elevá-los ao altar como santos.
A iconografia escolhida para simbolizar os santos é muito rica. Na aureola de Santa Jacinta tem 3 elementos significativos da sua vida de oração. Jacinta que ofereceu a sua vida pelo santo padre, pelos pobres pecadores, pelos que mais precisam, era toda coração. Uma vida entregue ao Senhor. O primeiro elemento, à esquerda, simboliza o santo padre, o Papa, a quem ela tanto pedia orações. No centro, acima de sua cabeça, tem o coração de Nossa Senhora cercado de espinhos. E, por fim, tem uma representação da Virgem de Fátima, para fazer alusão às aparições de Nossa Senhora.
Já Francisco era um eterno adorador de Jesus na Eucaristia. Ele ia à sua Igreja Paroquial para fazer seu momento de adoração a “Jesus Escondido”, o Cristo que estava colocado no Sacrário. Ali ele encontrava o rosto de seu Amigo. Por isso, na auréola de São Francisco temos primeiro a representação do Anjo de Portugal, o anjo da loca do cabeço que lhe deu a Eucaristia.
Acima, no meio da sua auréola, temos a Sarça Ardente, episódio do antigo testamento em que Moisés é convidado a tirar as sandálias dos pés, pois está em um lugar santo, ou seja, um momento do antigo testamento de verdadeira adoração. E, por fim, o Cálice e a Óstia, simbolizando literalmente Corpo e Sangue de Cristo.
Diante de crianças tão comuns e que encontraram em Nossa Senhora o caminho ao Senhor, podemos entender as palavras do Papa Francisco que pelos pastorinhos “encontramos novamente o rosto jovem e belo da Igreja”.
Desde os primórdios do cristianismo as aparições marianas provocam reservas e perplexidades, bem como curiosidade e adesão fervorosa. Cabe ao magistério dos pastores da Igreja investigar, discernir e autenticar a veracidade desses fenômenos.
Aparições e Revelações
Até a Idade Média as revelações privadas, as aparições marianas e outros fenômenos correspondentes, estavam sujeitos, por um lado, às regras de discernimento estabelecidas pelos teólogos, e, por outro - quando se tratava de fatos públicos - à pesquisa, cujas modalidades eram refinadas a partir de dados empíricos.
Maria, mãe de Jesus
A primeira investigação oficial deste tipo se concentra nas revelações de Santa Brígida († 1373): a notoriedade desfrutada por sua difusão no cristianismo, a influência que exercem sobre o povo de Deus, confere-lhes caráter público. Por esta razão, o Concílio de Basiléia (1431-1448) decidiu examiná-los. Vários teólogos se mobilizaram, argumentando a favor ou contra, elaborando assim as primeiras exposições sistemáticas sobre como verificar e analisar os fatos relacionados às aparições.
Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Após a celebração do Concílio Vaticano II (1962-1965) e antes da promulgação, em 1983, do Código de Direito Canônico (CIC) por João Paulo II, a Congregação para a Doutrina da Fé, após quatro anos de estudo, a partir de novembro de 1974, ainda vivendo Paulo VI, escreveu, em 25 de fevereiro de 1978, um documento provisório e sub-secreto para ser usado pelas autoridades eclesiásticas competentes, intitulado: Normae S. Congregationis pro Doctrina Fidei de modo procedendi in diudicandis praesumptis apparitionibus ac revelationibus (Normas da S. Congregação para a Doutrina da Fé sobre Normas para proceder sobre o discernimento de possíveis aparições e revelações).
Nossa Senhora Rainha
Estas Normas da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé foram tornadas públicas pela mesma Congregação em 2012, versando sobre o procedimento de verificação das aparições, como elencamos a seguir:
informações precisas dos fatos através da observação e coleta de testemunhos dignos de fé;
um exame sério da mensagem subjacente ao evento sobrenatural, que não devia estar em contraste com a fé cristã;
Nossa Senhora de Guadalupe
um diagnóstico médico-psicológico rigoroso para averiguar a saúde e normalidade do visionário, também para descartar a possibilidade de fenômenos alucinatórios;
conhecer o grau de instrução do vidente, seu conhecimento da doutrina, sua vida espiritual e sacramental, seu grau de comunhão eclesial;
Nossa Senhora de Lourdes
verificação sobre a realidade dos frutos espirituais, como o retorno à fé do distante, a moralidade e a eclesialidade da existência, a cooperação na evangelização do mundo, das culturas e costumes;
determinar possíveis curas milagrosas, que são recebidas devido à aparência reivindicada, curas que devem ser imediatas e estáveis e que são inexplicáveis do ponto de vista da ciência e da medicina;
Nossa Senhora
realização de um rigoroso julgamento necessário da igreja, que tem o grave dever pastoral de averiguar, autenticar e promulgar a autenticidade ou a não autenticidade dos fatos alegados.
Nossa Senhora do Rosário
O processo e as competências específicas daqueles que são gradualmente chamados a dar um juízo de autenticidade ou não aos fatos "sobrenaturais", são, portanto, bastante claros. E, de acordo com a experiência eclesiástica bem estabelecida e os ditames jurídico-pastorais emitidos pelo Código de Direito Canônico de 1978, são eles:
o bispo diocesano em primeira instância;
a Conferência Episcopal Nacional;
a Congregação para a Doutrina da Fé, em nome da Sé Apostólica.
O bispo diocesano, a Conferência Episcopal, a Congregação para a Doutrina da Fé, no processo de discernimento e verificação dos fatos alegados "além da natureza", procedem, portanto, com um triplo critério com julgamento relativo que resumimos:
1) o critério positivo, segundo o qual "transcendência é estabelecida", o que significa que o fenômeno em questão não pode ser explicado pelo recurso às ferramentas cognitivas de que dispomos (os instrumentos das ciências físicas e das ciências humanas) e ao mesmo tempo traz em si aquelas características que os crentes reconhecem como "impressões" e “sinais” do Deus de Jesus Cristo, constituindo assim uma manifestação inesperada, mas credível;
Sagrada Família de Nazaré (Jesus, Maria & José)
2) o critério negativo, segundo o qual "a não-transcendência" dos fatos alegados é estabelecida; o que significa que eles podem ser totalmente explicados recorrendo aos instrumentos cognitivos das ciências físicas e das ciências humanas e que a tentativa de fazê-los passar como uma manifestação sobrenatural e transcendente de Deus é equivalente a uma mentira explícita;
Nossa Senhora do Carmo
3) o critério de esperar e ver de acordo com o qual a "transcendência não é estabelecida"; o que significa que o fenômeno examinado ainda não destaca clara e indubitavelmente uma origem que vai "além" do que podemos explicar com as ferramentas cognitivas em nosso poder, ao mesmo tempo em que traz em si valores inspirados pela genuína mensagem evangélica . Este é um critério não expressamente contemplado no Código, mas considerado válido para muitos teólogos.
Com relação ao passado, as comissões eclesiásticas submetem os "videntes" a escrupulosos exames espirituais, tentando estabelecer "a verdade" de fenômenos extraordinários. Para este fim, eles são questionados e descrevem os eventos milagrosos; então os membros das comissões ouvem as testemunhas e, finalmente, procuram confirmações dos fenômenos, se o evento prolongado ainda permanece em um "campo de incerteza" (inaudível, inatingível, etc.), pede-se um relatório escrito por um especialista no assunto.
Contudo, não se pode deixar de acrescentar que as aparições marianas (ou mariofanias) são um fato inegável na história do povo crente, particularmente em algumas viradas decisivas de seu caminho não fácil para Deus. Elas expressam uma memória, manifestam uma companhia, anunciam uma profecia.
Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França
Memória, companhia e profecia, que são também características de autênticas mariofanias, nada acrescentam ao rigoroso e essencial depositum fidei, mas são como um olhar-se no “espelho” do Espírito, no qual o povo de Deus, na diversidade de seus carismas e ministérios pode redescobrir a graça e a substância da sua vocação em Cristo como sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano na martyria, na leiturghia, na caridade, num preciso e determinado tempo humano e histórico.
Nossa Senhora da Conceição
Fontes: Catechismo della chiesa cattolica, LEV, Città del Vaticano, 1997 (CCC), 85-87. / Congregazione per la dottrina della fede. Norme per procedere nel discernimento di presunte apparizioni e rivelazioni, LEV, Città del Vaticano, 2012. / K. Rahner, Visioni e profezie. Mistica ed esperienza della trascendenza, Vita e Pensiero, Milano 1995 (or. ted. 1952); R. Laurentin, Introduzione, in R. Laurentin – P. Sbalchiero (ed.), Dizionario delle «apparizioni» della Vergine Maria, Edizioni ART, Roma 2010, 19-55.
Pense em um lugar que inspira calma. Acrescente ao seu pensamento muitas árvores e flores das mais variadas cores enfeitando os caminhos. Esse lugar é Lisieux! Essa pequena cidade da região da Normandia, na França, tem um nome que parece difícil de ser falado, mas em verdade, assim como o local, quando conhecemos vemos que é de extrema simplicidade e paz.
Lisieux, na França
Toda a beleza e charme da pequena cidade, que tem uma arquitetura de encher os olhos não são o que mais atrai os turistas. Lisieux ficou muito famosa por conta de sua mais ilustre moradora: Santa Teresinha do Menino Jesus. Vamos saber um pouco mais sobre a vida desta santa célebre no mundo todo?!
Santa Teresinha do Menino Jesus
Santa Teresinha nasceu em 02 de janeiro de 1873 na cidade de Aleçon, na França. Sua família era bastante temente a Deus. Seu pai Luís Martim era joalheiro e já tinha querido ser monge, sua mãe, Zélie Guérin, era uma famosa bordadeira. O casal teve oito filhos, quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa; Maria, Paulina, Leônia e Celina. Graças aos seus pais, ela pode experimentar o amor de Deus em sua vida desde muito pequena.
A mãe de Teresinha faleceu quando ela tinha apenas quatro anos. Esse acontecimento foi, obviamente, muito marcante para a menina que passou a ficar muito mais próxima de sua irmã mais velha, Paulina.
Santa Teresinha do Menino Jesus (Lisieux/França)
A família de Teresinha tinha grande vocação para a vida religiosa e Paulina, seguindo a própria vocação, entrou para o Carmelo. A separação das irmãs fez muito mal a Teresinha que ficou muito doente por se ver longe de sua grande companheira.
Nossa Senhora do Sorriso
Uma forte depressão abateu Teresinha. Ela ficou de cama por um tempo e nenhum médico conseguia curá-la e nem ao menos saber o que ela tinha. Toda sua família era muito devota a Deus e se uniam em oração. Seu pai colocou uma imagem de Nossa Senhora das Vitórias ao lado da cama de Teresinha. Mais tarde, em sua autobiografia, Teresinha vai contar como foi curada:
“No dia 13 de maio de 1883, festa de Pentecostes, do meu leito, virei meu olhar para a imagem de Maria, e de repente a imagem pareceu-me bonita, tão bonita que nunca tinha visto nada semelhante. Seu rosto exalava uma bondade e ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o sorriso encantador da Santíssima Virgem. Todas as minhas penas se foram naquele momento, e lágrimas escorreram de meus olhos, de pura alegria. Pensei: “A Santíssima Virgem sorriu para mim!" Foi por causa das orações que eu tive a graça do sorriso da Rainha do Céu.”
Imagem de Nossa Senhora do Sorriso presente no quarto de Santa Teresinha, ao lado da cama (Lisieux/França)
O chamado
A partirdesse dia, com apenas 14 anos, Teresinha decidiu entrar para o Carmelo. Sua primeira tentativa não teve sucesso por conta das regras da Igreja, mas ela não desistiu. Seu chamado era tão intenso que em uma viagem feita à Itália, Teresinha foi corajosa e pediu a autorização ao Papa Leão Xlll e este concedeu.
Em abril de 1888, com o nome de Teresa do Menino Jesus, ela realizou seu grande objetivo de vida e entra para o Carmelo. Foi a partir daí que pode se desenvolver sua vocação religiosa, sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus. Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, ela oferecia a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja.
Vocação para amar
Santa Teresinha amava a Deus de forma muito simples e verdadeira, e por isso fazia com que tudo no seu dia a dia se transformasse em amor, revelando ao mundo que a perfeição e a santidade podem estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que fazemos com amor.
Fases da vida de Santa Teresinha do menino Jesus
Teresinha nos deixou um legado com seus ensinamentos. Ela busca seguir sua vida numa a simplicidade profunda. Por um caminho de santidade baseado nas pequenas coisas, nos pequenos atos do cotidiano que, quando feitos com amor, produzem frutos de santidade. Ela dizia que não tinha forças para fazer grandes obras heroicas como dos santos famosos da Igreja, mas conseguiria fazer pequenas coisas.
Padroeira das Missões
Nos pequenos gestos e nas pequenas coisas estavam o segredo de sua santidade. Este amor que Teresa nutria por Deus também se materializava no amor ao próximo. Tanto que o mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária. E foi assim que ela se tornou a padroeira das missões sem nunca ter saído do Carmelo, pois para ela ser missionário não é uma questão de geografia, mas, sim uma questão de amor.
Uma chuva de rosas
Um fato curioso, é que Santa Teresinha ficava imensamente feliz quando jogava pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório, e também gostava de jogar flores no grande crucifixo que ficava no jardim do Carmelo. Por isso, antes de morrer, ela disse: “Vou fazer chover sobre o mundo uma chuva de rosas”, demonstrando que iria interceder a Deus, sempre por todos os povos. Por isso, na Novena de Santa Teresinha o fiel espera receber uma rosa como sinal de que seu pedido será atendido.
Santa Teresinha do Menino Jesus faleceu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos após sofrer por quase três anos de tuberculose, que naquela época não tinha cura. Em seu leito de morte sua última frase foi: “Não me arrependo de haver-me entregue ao amor. E com o olhar fixo no crucifixo exclamou: Meu Deus, eu te amo. ”
Corpo incorrupto de Santa Teresinha do Menino Jesus (Lisieux/França)
Logo após a sua morte, muitos foram os milagres atribuídos à Santa Teresinha. E em 1925, o Papa Pio XI canonizou Santa Teresinha do Menino Jesus, declarando-a, posteriormente, padroeira das missões. Em 1997, João Paulo II proclamou Santa Teresinha do Menino Jesus doutora da Igreja.
Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração, e o de todos nós, foi feito para amar.
Um tesouro em forma de palavras
Santa Terezinha do Menino Jesus nos ensina que o amor está nos gestos simples. O amor puro e verdadeiro era um lema para a vida desta Santa. Ela é o verdadeiro tesouro da pequena cidade de Lisieux, que se divide em antes e depois de sua chegada.
Santa Teresinha faz florescer a esperança no coração de todos aqueles que a buscam. Todos os seus diários e ensinamento formam um legado de busca constante a Deus. Ela nos deixa a lembrança do poder da oração “A oração é um impulso do coração, um simples olhar para o céu, um grito de amor e gratidão na provação e na alegria; é algo enorme e divino que dilata o nosso íntimo e une a Jesus. ”
Uma cidade que inspira
A cidade de Lisieux foi o local escolhido por sua família para servir de lar. Ainda hoje quando visitamos a casa onde Santa Teresinha morou, podemos ver e sentir o tamanho da devoção daquela família.
Santa Teresa e o pai (Les Buissonnets/Lisieux/França)
Foi nessa cidade que Santa Teresinha viveu e faleceu. E assim, ficou conhecida como a cidade de Santa Teresinha.
A belíssima Basílica de Santa Teresinha foi a maior igreja construída na França no século XX, sua construção começou em 1929 e terminou em 1954 e seus muros estão cobertos com mosaicos que trazem mensagens à Santa Tereza, baseadas no seu amor infinito a Deus.
Basílica de Santa Teresa, em Lisieux (França)
Oração a Santa Tereza do Menino Jesus
Ó Santa Terezinha, branca e mimosa flor de Jesus e Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com vosso suave perfume, chamai-nos e nós correremos convosco, ao encontro de Jesus, pelo caminho da renúncia, do abandono e do amor. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para nosso Pai do céu.
Não permitais que o ofendamos com o pecado. Socorrei-nos em todos os perigos e necessidades; socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, especialmente a graça que estamos precisando agora, (fazer o pedido).
Lembrai-vos ó Santa Terezinha, que prometestes passar vosso céu fazendo o bem a terra, sem descanso, até ver completo o número de eleitos. Cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no céu, ao vosso lado, contando as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus. Amém.
Medjugorje que significa "no meio dos montes", está localizada na Herzegovina, uma província croata da Bósnia e Herzegovina, uma das repúblicas que formaram a antiga Iugoslávia.
A população da Herzegovina é de etnia croata e professa a religião católica, que preservou por quase quatrocentos anos de dominação turca, que durou de 1400 até a segunda metade do século XIX.
Nossa Senhora Rainha da Paz de Medjugorje (Bósnia e Herzegovina)
Esta perseverança foi possível sobretudo graças aos franciscanos que evangelizaram essas terras e depois mantiveram viva a fé, ao preço das vidas de muitos frades, durante o governo dos turcos. Ainda hoje a maioria das paróquias são confiadas aos franciscanos.
Igreja de São Tiago (Medjugorje/Bósnia e Herzegovina)
O início das aparições
Em 24 de junho de 1981, no final da tarde, duas meninas primeiro, e depois quatro outros pares, do lado de fora da cidade de Bijakovici, uma das aldeias que compõem a aldeia de Medjugorje e que fica nas encostas da colina chamada Podbrdo, viram a figura luz de uma jovem mulher, com um manto cinza e um véu branco, que tinha um filho recém-nascido nos braços, mas permaneceu em silêncio.
Eles foram tomados por grande medo, tanto que no início eles fugiram.
Na ocasião da segunda aparição, em 25 de junho, houve o primeiro contato verbal entre a aparição e o grupo dos seis videntes: Vicka Ivankovic (16), Mirjana Dragicevic (16), Marija Pavlovic (16), Ivanka Ivankovic (15) , Ivan Dragicevic (16) e Jokov Colo (10).
As notícias das aparições se espalharam com rapidez de relâmpago, causaram a chegada de grandes multidões, lembrando também a atenção tanto das autoridades eclesiásticas locais quanto do governo comunista da época, que cercou a colina impedindo que alguém a acessasse.
Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina
A partir daquele momento, os videntes continuaram a vê-la em lugares diferentes, sempre por causa do impedimento da polícia, tanto juntos quanto separadamente, mas sempre ao mesmo tempo.
Os lugares eram de tempos em tempos e por um certo período suas casas, uma pequena sala ao lado do altar da igreja, a casa canônica, etc.
Já nos primeiros dias das aparições, Nossa Senhora se apresentou como a Santíssima Virgem Maria e como a Rainha da Paz.
Ela também deu aos videntes essa mensagem fundamental: "Eu vim para dizer ao mundo que Deus existe e que em Deus existe vida. Aqueles que encontrarem Deus encontrarão paz e vida".
O objetivo dessas mensagens é pedir insistentemente à toda a humanidade, isto é, a todos nós, a urgência de retornar ao Evangelho como critério de vida, se quisermos evitar que o mundo caia em catástrofe.
Os segredos
Nossa Senhora também comunicou aos videntes o que é comumente chamado de "segredos" que são eventos, em sua maioria sérios, que ocorrerão na medida em que a humanidade não queira se converter
Mas nós podemos, se não cancelar, pelo menos mitigá-los com oração e jejum.
Ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com os segredos de Fátima, cada segredo de Medjugorje será comunicado ao mundo três dias antes de ocorrer, como prova da veracidade do aviso, mas, nesse momento, será tarde demais para mudar seu curso.
Três desses videntes: Vicka, Marija e Ivan ainda hoje, obviamente separadamente, a Rainha da Paz aparece-lhes diariamente ao mesmo tempo, onde quer que estejam.
Para os outros três, as aparições diárias terminaram, mas todos ainda têm pelo menos uma por ano.
Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina
As mensagens
Para a vidente, Marija Pavlovic, A Rainha da Paz, de 1º de março de 1984 a 8 de janeiro de 1987, enviou uma mensagem toda quinta-feira.
A partir de 25 de janeiro de 1987, essas mensagens se tornaram mensais e ainda são dadas hoje no dia 25 de cada mês.
Inicialmente, essas mensagens foram dirigidas principalmente à paróquia de Medjugorje, mas depois foram e ainda são dirigidas ao mundo inteiro, trazendo grandes frutos espirituais.
As mensagens que vêm de Medjugorje são tão profundamente evangélicas que constituem um sinal da presença de Nossa Senhora, a Rainha da Paz!
Elas não dizem nada mais do que o Evangelho, nem poderiam fazê-lo, mas sublinham algumas passagens que talvez não tenhamos entendido e que certamente não colocamos em prática.
Monte Podbrdo (Medjugorje/Bósnia e Herzegovina)
A espiritualidade
Medjugorje é acima de tudo um movimento de peregrinos. Até agora, milhões de pessoas de todo o mundo já foram a este local de peregrinação.
Outra característica de Medjugorje é que é um movimento da paz, que produz seus efeitos de dentro para fora.
Neste lugar, o dom da paz é sentido nos corações e a pessoa está disposta a transferir essa paz para os outros, no ambiente de vida: no casal e na família, para os vizinhos e para a comunidade, no ambiente de trabalho e na política.
Desta forma, além de sua própria experiência de conciliação e paz, o nome com o qual Nossa Senhora se apresentou aos videntes é justificado: “eu sou a Rainha da Paz”.
Em terceiro lugar, Medjugorje também pode ser definido como um movimento de renovação, que efetivamente renova a vida religiosa do indivíduo, de grupos e comunidades.
Um grande número de pessoas viveu profundas experiências religiosas em Medjugorje: curas físicas e espirituais, conversões, renovação da oração e da fé, impulsos para um jejum saudável, libertação das dependências.
Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina
O resultado mais notável desta renovação são os grupos de oração fundados pelos peregrinos após o retorno de Medjugorje em suas respectivas comunidades paroquiais.
Esses grupos se reúnem regularmente, geralmente todas as semanas para orar e adorar, para recitar o rosário e o louvor, para ler as Sagradas Escrituras e trocar idéias sobre o Evangelho e a vida cristã.
Finalmente, Medjugorje é também um movimento de ajuda humanitária.
Isso ficou particularmente evidente quando a guerra nos Bálcãs começou e se espalhou para a Bósnia e Herzegovina.
Milhões de peregrinos, que receberam dons espirituais em Medjugorje, deram sua ajuda material: comida, roupas, remédios e outros itens de ajuda, dinheiro e paternidade para crianças que se tornaram órfãs e para as vítimas da guerra.
O Vaticano e as peregrinações
Uma nova virada radical no mundo da Igreja assinada pelo Papa Francisco, no dia 12 de maio de 2019, autorizou peregrinações a Medjugorje, um destino ainda não oficialmente reconhecido pelo Vaticano como um local de culto em que os milagres ainda não são autenticados.
De acordo com o Papa Francisco, os fiéis poderão agora reassumir suas peregrinações a Medjugorje (na Bósnia), embora a Igreja ainda careça de um milagre autenticado.
O porta-voz do Papa destacou que tudo deve ser organizado "sempre tendo o cuidado de evitar que essas peregrinações sejam interpretadas como uma autenticação de eventos conhecidos, que ainda exigem um exame da Igreja”.
Portanto, deve-se evitar que tais peregrinações criem confusão ou ambigüidade sob o aspecto doutrinário. Isto também diz respeito aos sacerdotes que pretendem ir a Medjugorje e celebrar ou concelebrar a Eucaristia.
Gisotti também afirmou que "dado o fluxo considerável de pessoas que vão para Medjugorje e os abundantes frutos de graça que se seguiram, esta disposição é parte da atenção pastoral particular que o Santo Padre pretendia dar a essa realidade, visando favorecer e promovendo bons frutos
Grupo de peregrinos SacraTour em Medjugorje (Bósnia e Herzegovina)
Deste modo, o visitante apostólico terá maior facilidade em estabelecer - de acordo com os ordinários dos lugares - relações com os sacerdotes encarregados de organizar peregrinações a Medjugorje, como pessoas seguras e bem preparadas, oferecendo-lhes informações e indicações para serem capazes de conduzir proveitosamente tais peregrinações”.
Grupo de peregrinos SacraTour em Medjugorje (Bósnia e Herzegovina)
O Egito é famoso pelas suas paisagens deslumbrantes. Afinal, quem já não se encantou com as famosas pirâmides do Egito, mesmo sendo por fotos?!
Mas além de uma cultura riquíssima e encantos turísticos, o Egito tem grande importância religiosa. Achou estranho? Pois é sobre isso que vamos falar hoje. Venha testar seus conhecimentos sobre a Sagrada Família e os acontecimentos religiosos no país do faraós.
Por que Jesus teve que fugir para o Egito?
Para responder a essa questão, vamos entender o que diz a Bíblia. No evangelho de Mateus lemos que José foi avisado em sonho por um anjo do Senhor que deveria fugir para o Egito. Em primeiro lugar, essas linhas revelam uma ordem que obteve resposta imediata:
«Levante-se, leve a criança e a mãe consigo e fuja para o Egito e fique lá até eu avisar: Herodes quer encontrar o menino para o matar» (Mt 2,13).
Em seguida, a passagem continua:
"Ele levantou-se à noite, tomou o menino e sua mãe e refugiou-se no Egito, onde permaneceu até a morte de Herodes, de modo que o que foi dito pelo Senhor foi feito através do profeta: "Do Egito, eu chamei meu filho” (Mt 2,15).
A fuga para o Egito
A partir de então, esse é o episódio da chamada "Fuga para o Egito". Isso quer dizer, uma partida de Nazaré que durou até a morte de Herodes. Essa partida também foi comunicada em um sonhosubsequente por um anjo: naquele momento Jesus, José e Maria, retornavam a Galileia
"porque o que foi dito [de Jesus] foi cumprido pelos profetas: "será chamado Nazareno" (Mt 2,23).
Então, a Sagrada Família - como muitas pessoas de nossos dias ou séculos passados - experimentou a experiência da imigração para um país estrangeiro.
Sagrada Família, em Belém (Palestina)
A Sagrada Família em fuga
A página do Evangelho de Mateus que descreve a fuga para o Egito da família de Jesus, tentada à morte pelo rei Herodes, reflete um problema social que transcende a história cristã e que continua sendo uma fonte de inspiração para os refugiados de hoje que misturam medo e esperança devido à experiência do exílio.
O refúgio da Sagrada Família
A família de Nazaré forçada a migrar começa com o refúgio da Sagrada Família de Nazaré, fugindo para o Egito, é o arquétipo de toda família de refugiados. Jesus, Maria e José, no exílio no Egito tentaram escapar da fúria de um rei tirano.
A Sagrada Família é exemplo de proteção. Além de serem os protetores de todo migrante, estrangeiro e refugiado de qualquer espécie, que forçados pelo medo de perseguições ou necessidades, deixam sua terra natal, seus pais e parentes, seus amigos mais íntimos e procura um país estrangeiro.
Como foi a fuga da Sagrada Família?
A jornada da Sagrada Família começou em Belém e cruzou a parte norte do deserto do Sinai. Em seguida, entrou no Egito e chegou à cidade de Tal Basta, perto da cidade de El Zakazik.
Depois disso, a Família cruzou o Nilo (Ramo Rosetta) até o Delta do Oeste, depois seguiu para o sul, chegando a Wadi El Natrun, a área que mais tarde se tornou o paraíso dos monjes. Por fim, de lá, partiram para o sul até a cidade do Cairo.
Cairo, no Egito
Monte Sinai, no Egito
O percurso feito pela Sagrada Família
Em primeiro lugar, a família atravessou o Nilo para o leste em direção a El Mataria, perto de Ain Shams, a cerca de 10 km da cidade do Cairo, onde descansou à sombra de uma árvore conhecida hoje como a "Árvore de Maria".
Em seguida, perto daquela árvore surgiu uma fonte de água e nesse ponto cresceu uma planta aromática com um bom cheiro, a planta do "Bálsamo" que é adicionada aos aromas e aromas com os quais o Santo Crisma é produzido.
A árvore de Maria
O lugar onde a Árvore de Maria está localizada era um dos destinos mais importantes dos viajantes da Idade Média e é até hoje visitado por turistas.
Continuando sua fuga, a Sagrada Família, portanto, partiu para o Sul, até chegar à área de El Maadi, perto de Menfis (capital do Antigo Egito), onde atualmente se encontra a Igreja da Santa Virgem. Acredita-se sua construção foi no século XIII.
Além disso, até hoje, há a escadaria de pedra usada pela Sagrada Família em sua descida até a margem do Nilo, que pode ser visitada por um lugar que se abre no pátio da igreja.
A Sagrada Família vai embora do Egito
Com a morte de Herodes, a Sagrada Família, retornou à Palestina. Ou seja, puderam concluir a jornada iniciada com a fuga que durou três anos. Além disso, todos esses anos de jornada envolveram idas e voltas. Isso quer dizer que durante estima-se que a Sagrada Família tenha percorrido a distância de mais de dois mil quilômetros.
Como conhecer o Egito?
Nos roteiros de peregrinação com a SacraTour, você tem a possibilidade de conhecer alguns dos caminhos trilhados pela Sagrada Família em sua fuga para o Egito. Por isso, venha peregrinar conosco e mergulhar nesse mistério de salvação que Deus nos revela passo a passo nas pegadas da Sagrada Família.
A belíssima cidade de Guimarães também é considerada berço da nacionalidade portuguesa. Nesta cidade, patrimônio cultural da humanidade da Unesco desde 2001, sucederam-se os acontecimentos mais marcantes da independência portuguesa (com relação ao reino de Castela e Leão, atual Espanha).
Guimarães situa-se na região do Baixo Minho, onde a natureza cobre os montes com extensos pinheirais e os vales com altos vinhedos, o que lhe confere característica única no conjunto do território português. A cidade, que remonta ao séc. XII, oferece ao visitante belíssimos exemplos de arquitetura medieval, bem como o magnífico centro histórico.
Desde 1987, Guimarães e Londrina são cidades coirmãs estabelecendo importantes intercâmbios culturais, de ensino e gestão, ou seja, convênios de amizade e cooperação entre os municípios. Para celebrar essas ligações culturais e históricas, na cidade de Guimarães foi construída uma praça, denominada “Praça Londrina”, como uma homenagem à cidade, e nas imediações do Lago Igapó, em Londrina, há uma praça que homenageia a cidade portuguesa de Guimarães.
Londrina e Guimarães, as cidades-irmãs
Entrando na história
Cidade de Londrina, no Paraná (Brasil)
Passeando pelas pequenas ruas cercadas por casas dos anos de 1300, o peregrino é praticamente convidado a mergulhar na atmosfera desta cidade, que mais do que qualquer outra teve um papel fundamental na história de Portugal. Os habitantes da cidade são orgulhosos de seu passado, e não é por acaso que você encontrará símbolos e referências ao exército dos cruzados praticamente em todos os lugares.
Depois de explorar a parte mais ocidental do centro histórico, vá para o característico Largo da Oliveira, onde está localizada a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira. A principal atração da praça é a galeria gótica que fica bem em frente à igreja. Do Largo da Oliveira, a ligeira subida se começa a chegar à parte mais alta da cidade onde estão localizados o castelo e o Palácio dos Duques de Bragança.
Castelo de Guimarães
Cidade de Guimarães, em Portugal
O castelo de Guimarães, que remonta ao século XI é um local interessante para visitar, bem como o Palácio dos Duques de Bragança é um lugar que não se pode perder. O edifício foi construído em 1400 no estilo de casas senhoriais francesas e restaurado no século passado. Embora seja uma estrutura muito austera, oferece uma coleção muito rica de tapeçarias finas e porcelana chinesa. Para constar, devemos ressaltar que muitos objetos, como algumas tapeçarias e móveis, apesar de serem fabricados em Portugal e representarem fatos importantes na história da nação, são na verdade cópias. Os originais estão em posse da Espanha.
Cidade de Guimarães, em Portugal
A área de couros
Do outro lado da estrada do Largo do Toural, onde se encontra a famosa inscrição, “Aqui nasceu Portugal” que faz referência ao fato de a Batalha de São Mamede (24 de Junho de 1128), que destronou D. Teresa e ergueu D. Afonso Henriques como 1º rei de Portugal ter tido lugar nesta cidade, e não ao fato de, como muita gente pensa, D. Afonso Henriques ter nascido aqui.
Passando pelo Jardim Público da Alameda e contornando a avenida que exibe os brilhantes azulejos da Capela de São Francisco, entra-se no que imediatamente aparece como o antigo coração de Guimarães. Uma pequena jóia que talvez nem todos saibam: a praça dos antigos curtumes (zona de Couros). No bairro, tudo parece ter parado no tempo, quase um salto no passado. Se pode proceder aleatoriamente entre os becos e as casas estreitas e respirar a atmosfera autêntica de um bairro "cotidiano", que permanece estranho ao ritmo de bares, turistas e restaurantes.
Cidade de Guimarães, em Portugal
Igreja de Nossa Senhora da Consolação
Anunciada por um longo corredor verde cheio de flores que leva diretamente à sua entrada, a Igreja de Nossa Senhora da Consolação de Guimarães é justamente um dos mais belos edifícios religiosos em Portugal. Sua aparência exterior é extraordinariamente desarmante. E, apesar de estar imerso no frenesi de uma das principais ruas da cidade, com carros circulando na avenida a alguns metros de distância, parece claro que nada pode privá-lo de seu esplendor.
O Parque e o Santuário de Penha
Do centro de Guimarães, se pode pegar o teleférico (que por si só é uma experiência, principalmente para quem é sensível às alturas) e subir ao Parque da Penha, onde se pode encontrar o jardim e o grande Santuário da Penha. A experiência, no entanto, está no parque que a rodeia.
Parece que os habitantes de Guimarães gostam de frequentá-lo durante o horário de descanso e nas tardes de domingo levando toda a família para uma espécie de piquenique com boa comida, vinho e até algum violão, pelo menos até que alguém decida cochilar na sombra ou tomar um café em um dos restaurantes ou bares por lá, que obviamente não prestam atenção aos horários de fechamento. Peregrinando com a Sacratour você pode ter a oportunidade de conhecer o berço da nacionalidade portuguesa, a belíssima cidade de Guimarães.
Maria deixa Nazaré, localizada no norte da Palestina, para ir ao sul, cerca de cento e cinquenta quilômetros, em um lugar que a tradição identificou com o atual Ein Karem, não muito longe de Jerusalém.
Ein Karem é um importante bairro de Jerusalém. É o local para onde Maria se dirigiu às pressas para visitar Isabel.
Desse modo, a tradição nos conta que o local onde João Batista nasceu e viveu ficava nesta cidade.
Ein Karem, o local da graça e do encontro
Podemos, então, dizer, que ao visitar Ein Karem, é possível mergulhar em um dos cumprimentos proféticos do Senhor, pois o Santuário da Visitação ali construído recorda o encontro entre Maria e Isabel e os filhos que elas traziam em seus respectivos ventres, e que se reconhecem numa manifestação de alegria e êxtase.
Encontro da Virgem Maria com Santa Isabel
O movimento físico mostra a sensibilidade interior de Maria, que não está fechada para contemplar de maneira privada e íntima o mistério da maternidade divina que nela se realiza, mas que se projeta no caminho da caridade.
Desse modo, se pode afirmar que a história da salvação em Ein Karen, dá testemunho de como a Encarnação se coloca na simplicidade de duas famílias, envolvendo as expectativas, e tornando-se uma atestação da presença de um Deus que opera.
A visita de Maria a Isabel é caracterizada pelo acréscimo "com pressa” (Lc 1:39).
O leitor, no entanto, sabe que o motivo real da viagem não está indicado, mas pode obtê-lo através de informações derivadas do contexto. O anjo havia comunicado a Maria a gravidez de Isabel, já no sexto mês (Lc 1:36).
Além disso, o fato de ela ficar três meses (Lc 1:56) bem a tempo de o filho nascer, permite-nos acreditar que Maria pretendia levar ajuda à sua parenta. Maria corre e vai aonde a urgência de uma necessidade a chama, demonstrando uma sensibilidade acentuada e disponibilidade concreta.
Maria à caminho de Ein Karem (Jerusalém/Israel)
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre"!
Com Maria, carregado no ventre, Jesus se move com a Mãe
A partir daqui, é fácil deduzir o valor cristológico do episódio da visita de Maria a Isabel: o foco está acima de tudo em Jesus.
À primeira vista, pode parecer uma cena focada nas duas mulheres; na realidade, o que é importante para o evangelista é o prodígio presente em sua concepção. Afinal, a mobilização de Maria tende a unir as duas mulheres.
Assim que Maria entra na casa e cumprimenta Isabel, a criança lhe estremeceu no ventre.
Lucas usa um verbo grego em particular que significa apropriadamente 'pular'.
Querendo interpretar o verbo, um tanto livremente, pode ser indicado por 'dançar', excluindo assim o significado de um fenômeno meramente físico.
Alguém pensou que essa 'dança' poderia ser considerada uma forma de 'homenagem' que João presta a Jesus, inaugurando, ainda não nascido, aquela atitude de respeito e sujeição que caracterizará sua vida:
Encontro da Virgem Maria, mãe de Jesus, com Santa Isabel, mãe de São João Batista
"Depois de mim vem um quem é mais forte que eu e a quem não sou digno de desatar os laços das suas sandálias" (Mc 1:7).
E ainda: “Ele deve crescer e eu devo diminuir "(Jo 3, 29-30).
Então comenta Santo Ambrósio: "Isabel ouviu a voz primeiro, mas João percebeu a graça".
"Ele se alegrou no meu ventre" (Lc 1:44).
Lucas, com esses detalhes, queria evocar o prodígio que ocorreu na intimidade de Nazaré.
Somente agora, graças ao diálogo com um interlocutor, o mistério da maternidade divina deixa seu sigilo e sua dimensão individual, para se tornar um fato conhecido, um objeto de apreciação e louvor.
As palavras de Isabel “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre"!
A que devo a honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? "(42-43).
Com uma expressão semítica equivalente a um superlativo ("entre mulheres"), o evangelista quer chamar a atenção do leitor para a função de Maria: ser a "Mãe do Senhor".
E assim uma bênção é reservada para ela ("bendita") e uma bem-aventurança.
Qual é o último?
Expressa a adesão de Maria à vontade divina.
Maria não é apenas a receptora de um projeto arcano que a faz abençoada, mas também uma pessoa que sabe como aceitar e aderir à vontade de Deus. Maria é aquela que acredita, porque confiou em uma palavra e respondeu com amor.
E Isabel reconhece esse serviço de amor, identificando-a como bendita como mãe e bendita como crente.
Enquanto isso, João percebe a presença de seu Senhor e exulta, expressando com esse movimento interior a alegria que advém desse contato salvador.
Santa Isabel e São Zacarias com São João Batista
A Sacratour leva você a fazer essa experiência profunda do encontro nos lugares santos com pessoas santas.
Ao peregrinar como Maria, por Ein Karem, você pode conhecer o Santuário da Visitação, passar pelo lugar do encontro entre Maria e Isabel, lugar que leva ao recolhimento e oração.
Leva a abrir o coração ao agradecimento.
Por isso, neste santuário, entre o silêncio e a natureza, entre os restos antigos e os testemunhos modernos, podemos parar e repetir com o coração cheio de gratidão e reconhecimento o nosso Magnificat ao Senhor, como nos inspira a Virgem Maria da Visitação.
O deserto sempre inspirou a curiosidade humana. Afinal, como pode existir vida e moradia num lugar que parece tão inóspito!? Além disso, os desertos espalhados pelo mundo sempre foram palco de histórias repletas de mistérios e ensinamentos. Quem não se lembra de filmes e narrativas que se passam no deserto?!
E o deserto é, sem dúvida, um bom lugar para continuarmos Peregrinando de Casa pela Terra Santa. Se você também tem interesse de saber mais sobre desertos que foram importantes na história da humanidade, acompanhe nosso texto! Ele vai te levar a um passeio pelos desertos.
Iniciamos nossa peregrinação pelo deserto com a informação de que os principais desertos citados nas Sagradas Escrituras se localizam no Sul e no Oriente de Israel. Dentre eles o deserto do Sinai, da Judeia, de Neguiev e de Jericó. Agrupam-se os primeiros na Península do Sinai. Os outros, encontram-se nas outras regiões do país. Veremos como o povo de Deus conviveu com essas áreas inóspitas.
Deserto do Sinai
Começamos pela Península do Sinai, uma fronteira no norte do Egito entre o continente africano e o continente asiático, é um território mágico e lendário, fascinante pelos cenários extraordinários que oferece, mas também por sua carga espiritual.
De acordo com a tradição, de fato, as montanhas da Península do Sinai se tornaram o cenário da aventura bíblica do Êxodo e o local onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos: mesmo para os não-crentes, esta é uma terra cuja sacralidade é fortemente percebida. O Mosteiro de Santa Catarina é um lugar muito visitado pelos peregrinos e é o mais antigo reduto cristão construído há mais de 1.500 anos e declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Resistente e mágico, o deserto do Sinai é um local que ensina o valor da paciência e do silêncio, onde a natureza se manifesta em toda a sua força e magnificência. Nesse lugar, recebeu Israel a lei de Moisés. Um lugar realmente muito significativo para nós e que inspira calma e paz.
Deserto da Judeia
Passamos do deserto do Sinai, rumo ao deserto da Judeia que está localizado a leste de Jerusalém e desce ao Mar Morto. Podemos nos lembrar que em muitos períodos da história antiga, o deserto da Judeia era um importante local de refúgio. Davi se escondeu do rei Saul “E vieram os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não está Davi escondido no outeiro de Haquilá, defronte de Jesimom?
Então Saul se levantou e desceu ao deserto de Zife, e com ele três mil homens escolhidos de Israel, a buscar a Davi no deserto de Zife. E acampou-se Saul no outeiro de Haquilá, que está defronte de Jesimom, junto ao caminho; porém Davi ficou no deserto, e viu que Saul vinha seguindo-o no deserto”. (1 Sam. 26, 1–3)
Podemos nos lembrar de outro momento emblemático envolvendo o deserto; quando Jesus jejuou ali quarenta dias e quarenta noites (Mateus 4, 1–11; Marcos 1, 12–13). Visto que aqueles que viajavam sozinhos nesta área eram presas fáceis, Jesus pôs a parábola do bom samaritano na estrada que vai de Jerusalém a Jericó pelo deserto da Judeia (Lucas 10, 25–37).
Deserto de Neguev
Israel é uma nação pequena e 62% do seu território é composto pelo deserto de Neguev. Este deserto tem uma cor vermelha brilhante e é caracterizado por formações rochosas espetaculares.
Seus visitantes poderão explorar sua imensidão inexplorada – silenciosa e majestosa. Além disso, o deserto está cheio de vestígios de civilizações antigas (como suas colheitas) e sítios arqueológicos.
O Neguev oferece o cenário perfeito para conhecer as tribos beduínas ou o povo do deserto. Parece um local perfeito para àqueles que gostam de peregrinar em meio a clama e ao inexplorado, não é mesmo?!
Deserto de Jericó
Seguimos nossa peregrinação agora pelo deserto de Jericó, que fica no território benjamita. Esse desolado território forma um longo desfiladeiro rochoso com cerca de 15 quilômetros que desce de Jerusalém a Jericó. Nessa área, há muitas cavernas, nas quais escondem-se malfeitores. Essa região serviu de cenário para a Parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus Cristo:
“ Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna? ” “O que está escrito na Lei? ”, respondeu Jesus. “Como você a lê? ” Ele respondeu: “‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Disse Jesus: “Você respondeu corretamente.
Faça isso, e viverá”. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo? ” Em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado.
Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. Quando eu voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’. “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? ” “Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo” (Lucas 10,25-37)
Assim como a parábola que acabamos de ler, também o deserto pode nos inspirar um cenário árduo e de difícil entendimento. Mas devemos nos inspirar nas palavras de Jesus para atentarmos nosso olhar e percebemos que dentro de um deserto que aparentemente nos mostra só solidão e escassez, na verdade, há uma bela oportunidade de nos voltarmos para nossos próprios desertos interiores e, dessa forma, percebermos as possibilidades e riquezas que não se pode ver facilmente. Peregrinar por caminhos e lugares diferentes dos que estamos acostumados nos leva a essa possibilidade, podemos descobrir ensinamentos e riquezas em lugares áridos.
Temos buscado abrigo em nossos lares mais do que nunca. Muitos de nós estamos ficando em casa por mais tempo do que era habitual. Nesses momentos, somos levados a perceber que nossa casa, além de ser nosso abrigo, também pode servir como um local de acolhida para nossos sentimentos. E também podemos pensar em muitas casas, ou abrigos, que foram importantes e serviram de amparo na vida de Jesus.
Mas, existe um lugar especial que nos remete ao aconchego de casa de mãe, ou de vó, que são lugares em que muitos de nós gostaríamos de estar agora. Então, nós te convidamos a Peregrinar de sua casa pela casa de nossa Mãe, um lugar muito especial e que não é apenas um. Vamos entender:
Santuário da Santa Casa de Loreto (Itália)
A região de Loreto, na Itália, foi desenvolvida ao redor de um santuário que é de extrema importância para nós, católicos. Nele encontramos a Santa Casa de Loreto que foi cenário de um momento muito relevante na vida de Maria e também de Jesus Cristo. Conta-nos a tradição que foi nessa casa que a Virgem Maria cresceu em companhia de seus pais, Santa Ana e São Joaquim. A Casa também representa um marco, foi nela que Maria recebeu o anúncio do Anjo Gabriel. Ou seja, essa Santa Casa foi palco do momento em que a Virgem disse o sim e aceitou gerar Jesus e deste momento o verbo se fez carne e deu-se início a redenção da humanidade.
Loreto, na Itália
Deu para ver que essa casa tem muita importância para nós, católicos, não é mesmo?! Mas há um fato curioso em tudo isso. Em Nazaré, Terra Santa, há a Basílica da Anunciação, um local onde podemos ver a Gruta da Anunciação. Todos os anos peregrinos do mundo inteiro visitam a gruta onde se deu a anunciação à Maria. Mas no início dissemos que a Santa Casa está na Itália. Qual a explicação para isso? Seria uma réplica?
Não. A Santa Casa que se encontra em Loreto é a casa em que Maria passou sua juventude e recebeu a visita do anjo. Foi por volta de 1291 que a Santa Casa foi transportada para a Itália. Posteriormente houve a construção do belíssimo Santuário de Nossa Senhora de Loreto, um local de intensa peregrinação.
Nossa Senhora de Loreto (Itália)
A Legitimidade
O fato que parece indiscutível é o de que a casa que está em Loreto é a mesma que estava em Nazaré. Essa segurança vem de anos e anos de estudos. Profissionais de diversas áreas com estudos envolvendo arqueologia, arquitetura, geologia, entre outros, se debruçaram para entender o fenômeno da Santa Casa. Os estudiosos comprovaram que os tijolos, a argamassa e até mesmo o modo de construção não tem qualquer relação com a Itália e a origem da Santa Casa de Loreto parece ser unânime.
Santuário da Santa Casa de Loreto (Itália)
O que foi cientificamente comprovado é que as três paredes que estão em Loreto são as três paredes que já estiveram em Nazaré na época de Jesus. Estudos apontam que há inscrições nas paredes da Santa Casa de Loreto feitas em grego e com duas letras em hebraico “ Jesus Criste uie tu zeu”, que quer dizer “Ao Jesus filho de Deus”. A mesma invocação usando as mesmas palavras pode ser encontrada em Nazaré, na Gruta. Na Basílica da Anunciação, em Nazaré, vemos a quarta parede e também os alicerces da constituição da totalidade da casa.
Por que a Santa Casa teve que sair de Nazaré?
No final do séc. XIII, especificamente em 1291, os sarracenos-muçulmanos estavam conquistando a Terra Santa e tinham com objetivo destruir todos os lugares que fossem sagrados para os cristãos. Já podemos imaginar que a Santa Casa foi alvo dessa perseguição. Para que a Santa Casa não fosse destruída, era preciso algum tipo de medida urgente. E foi neste contexto que a casa dos avós de Jesus foi retirada de Nazaré.
O que intriga e divide opiniões é: A casa teria sido transportada por anjos celestiais ou por intervenção humana?
Para essa questão pode existir duas respostas. E mesmo se você já tiver sua opinião formada sobre o modo como a Santa Casa foi transportada, vale a pena ver o que dizem os dois lados.
Santa Casa de Loreto (Itália)
Escolha qual versão você quer ler primeiro:
Uma explicação lógica e racional:
Os estudos em torno dos fatos sobre a Santa Casa sempre foram numerosos. Atualmente existe uma teoria também aceita por alguns religiosos que diz que a Casa teria sido transportada com o auxílio dos homens e não por uma obra celestial.
Provavelmente a ajuda humana teria vindo dos Cruzados que fugiam da Terra Santa. Essa justificativa se dá pelo período histórico em que a casa foi encontrada em Loreto, esse período coincide com a última Cruzada e com os dias da queda de Jerusalém diante dos mulçumanos. Segundo essa hipótese, foi uma família nobre e cristã com o sobrenome ANGELI (anjos) que ao fugir da Terra Santa ordenou o transporte da Santa Casa. Os anos e a tradição popular teriam transformado o sobrenome dos Anjos em um mistério envolvendo anjos celestiais. Além disso, estudiosos afirmam ter encontrados documentos secretos no Vaticano que mencionavam a intervenção humana no transporte da Santa Casa de Loreto.
Santuário da Santa Casa de Loreto (Itália)
Outra justificativa dos feitos da família Anjos foi a análise de alguns documentos que mostram que a família teria relação com a relíquia por meio de uma jovem chamada Tamara. Segundo um documento que lembra uma forma de inventário, ela teria levado como dote para seu futuro marido, Felipo Angeli, pedras sagradas tiradas da casa da Virgem mãe de Deus. O casamento coincide com a data de 1294, que foi a data que a Santa Casa chegou a Loreto. Outro fato relevante que explica a intervenção humana foi a descoberta, durante as escavações em Loreto, de duas pequenas cruzes de tecido tipicamente usadas pelos Cruzados.
Toda a história envolvendo o transporte da Santa Casa, embora seja interessante e até certo ponto polêmica, não é essa a real importância da Santa Casa. Devemos nos lembra do sentimento de acolhida e esperança que este lugar simboliza para nós, foi nele que a Virgem recebeu os designíos divinos. Que possamos viver em nossas casas uma esperança renovada, assim como ela foi renovada na Santa Casa.
O milagre da Transladação:
Entre as dúvidas colocadas aos que acreditam na ajuda humana, está a do transporte: como as três paredes foram transportadas? Cabe pensar que para o transporte da Casa de Nazaré até o mar Adriático são necessários mais de dois mil quilômetros. Além disso, a Casa passou por pelo menos cinco lugares diferentes até chegar ao local que está hoje. Como essa viagem poderia ter sido feita com aparente facilidade no fim do séc. XIII?
Outro fator que corrobora para o entendimento do milagre é a construção. Os muros da Casa, as três paredes, não tem marcas de reconstrução, o que fez com que estudiosos chegassem a conclusão de que ela foi transportada inteira, sem alterações. Se tivesse sido transportada por homens, a casa teria que ter sido reconstruída muitas vezes e rapidamente e esses são fatos sem qualquer registro. A casa também não possuía alicerces e foi coloca no meio de uma vala em estrada pública. Dada a grande engenhosidade que envolvia transportar uma casa, não há muito sentido em deixá-la num local fora de estratégia e perigoso.
Os fatos religiosos também auxiliam no esclarecimento do milagre; muitos santos vivenciaram as revelações místicas das transladações da Casa, como é o exemplo de Santa Catarina de Bologna. Ela deixou um relato escrito dizendo como a Casa foi transportada pelos anjos celestiais. Entre as aprovações Papais mais expressivas, temos a de Pedro XV que declarou que a Virgem venerada na igreja de Loreto era a Padroeira da aviação confirmando a verdade histórica da transladação da Casa.
Santa Casa de Loreto (Itália)
Toda a história envolvendo o transporte da Santa Casa, embora seja interessante e até certo ponto polêmica, não é essa a real importância da Santa Casa. Devemos nos lembrar do sentimento de acolhida e esperança que este lugar simboliza para nós, foi nele que a Virgem recebeu os desígnios divinos. Que possamos viver em nossas casas uma esperança renovada, assim como ela foi renovada na Santa Casa.
Nós aprendemos, e já nem sabemos quando, que Nossa Senhora apareceu a 3 pastorinhos em Fátima, no interior de Portugal e, quando muito, sabemos que foi lá no início do século passado – afinal, já temos lembrança que foi comemorado o centenário das aparições, não é mesmo?
Mas e se perguntarmos sobre quem eram estas crianças, o que Nossa Senhora lhes falou, como isso tem a ver com os nossos dias e o que podemos mudar a partir dessa aparição, você saberia responder?
Então, prepare-se e mergulhe conosco na história da apariçãode Nossa Senhora em Fátima!
As Aparições em Fátima - Memórias da Irmã Lúcia
Imagem de Nossa Senhora de Fátima - Portugal
13 de maio: uma data muito especial
Nossa Senhora de Fátima
Dia 13 de maio de 1917 – Andando a brincar com a Jacinta e o Francisco, no cimo da encosta da Cova da Iria, a fazer uma paredita em volta duma moita, vimos, de repente, como que um relâmpago.
– É melhor irmos embora para casa, – disse a meus primos – que estão a fazer relâmpagos; pode vir trovoada.
– Pois sim.
Pastorinhos de Fátima: Lúcia, Francisco e Jacinta
E começamos a descer a encosta, tocando as ovelhas em direção à estrada.
Ao chegar, mais ou menos a meio da encosta, quase junto duma azinheira grande que aí havia, vimos outro relâmpago e, dados alguns passos mais adiante, vimos, sobre uma carrasqueira, uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.
Paramos surpreendidos pela aparição.
Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que A cercava ou que Ela espargia, talvez a metro e meio de distância, mais ou menos.
Então Nossa Senhora disse-nos:
– Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.
– De onde é Vossemecê? – lhe perguntei.
– Sou do Céu.
– E que é que Vossemecê me quer?
– Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez.
– E eu também vou para o Céu?
– Sim, vais.
– E a Jacinta?
– Também.
– E o Francisco?
– Também, mas tem que rezar muitos terços.
Lembrei-me, então, de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com minha irmã mais velha.
– A Maria das Neves já está no Céu?
– Sim, está.
Parece-me que devia ter uns 16 anos.
– E a Amélia?
– Estará no purgatório até ao fim do mundo.
Parece-me que devia ter de 18 a 20 anos.
– Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?
– Sim, queremos.
– Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.
Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos.
Então, por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:
– Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.
Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:
– Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.
Imagem de Nossa Senhora de Fátima e seus dizeres
Em seguida, começou-se a elevar serenamente, subindo em direção ao nascente, até desaparecer na imensidade da distância. A luz que a circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros, motivo por que alguma vez dissemos que vimos abrir-se o Céu.
Parece-me que já expus, no escrito sobre a Jacinta ou numa carta, que o medo que sentimos não foi propriamente de Nossa Senhora, mas sim da trovoada que supúnhamos lá vir; e dela, da trovoada, é que queríamos fugir. As aparições de Nossa Senhora não infundem medo ou temor, mas sim surpresa.
Era o ano de 1916. Perto da Cova da Iria, a família de Lucia de Jesus, então com 9 anos, tinha um pequeno terreno cultivável onde ela e seus dois primos, Francisco, de 8 anos, e Jacinta, 6 anos, conduziam um pequeno rebanho. Assim, para os preparar para o encontro Com Nossa Senhora, os Pastorinhos foram visitados pelo Anjo.
1 - As aparições do Anjo
A Loca do Cabeço, local da primeira e a terceira aparição do anjo aos pastorinhos em Fátima
1ª Aparição – ainda na primavera, na Loca do Cabeço, tendo almoçado e feito sua oração, os pastorinhos começaram a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direção ao Nascente, uma luz mais branca que a neve, transparente, com a forma de um jovem, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol.
À medida que se aproximavam, podiam distinguir suas feições. Num misto de surpresa e meditação, em silêncio, ouviram o Anjo lhes dizer: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo: Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-- Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Orai assim: Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”.
Relata a Irmã Lúcia: “A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa que quase não dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração.
A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima, que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo.
Nesta Aparição, nenhum pensou em falar, nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também, maior impressão, por ser a primeira assim manifesta” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
2ª Aparição – já na primavera, com sol a pino, provavelmente em junho, no poço, o Anjo lhes aparece mais uma vez e diz: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios”.
Perguntaram, então, ao Anjo, “Como nos havemos de sacrificar?”, ao que o Anjo respondeu “De tudo que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
Estas palavras do Anjo gravaram em seus corações e lhes fizeram compreender quem era Deus, como os amava e queria ser amado; o valor do sacrifício, e como o sacrifício Lhe era agradável, como por atenção ao sacrifício oferecido, convertia os pecadores.
Daí em diante começaram a oferecer ao Senhor tudo que os mortificava, mas sem procurar outras mortificações ou penitências, exceto a de passarem horas seguidas prostrados por terra, repetindo a oração que o Anjo os tinha ensinado (in Segunda Memória da Irmã Lúcia).
3ª Aparição – provavelmente entre o fim de setembro e início de outubro, novamente na Loca do Cabeço, apareceu o Anjo trazendo na mão um cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálice, algumas gotas de sangue.
Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu o Anjo três vezes a oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a Hóstia e deu a Lúcia a Hóstia e o que continha o cálice deu-o a beber a Jacinta e Francisco, dizendo, ao mesmo tempo: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos.
Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus” e prostrando-se por terra, o Anjo repetiu novamente três vezes a primeira oração e desapareceu. Sobre as aparições do Anjo, Lúcia afirma que “gosto muito de ver o Anjo; mas o pior é que, depois, não somos capazes de nada.
Eu nem andar podia, não sei o que tinha! Apesar de tudo, foi ele [Francisco] quem se deu conta, depois da terceira aparição do Anjo, das proximidades da noite. Foi quem disso nos advertiu e quem pensou em conduzir o rebanho para casa.” Passados os primeiros dias e recuperado o estado normal, perguntou o Francisco:
– O Anjo, a ti, deu-te a Sagrada Comunhão; mas a mim e à Jacinta, o que Ele nos deu?
– Foi também a Sagrada Comunhão? – respondeu a Jacinta, numa felicidade indizível.
– Não vês que era o Sangue que caía da Hóstia?
– Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era!
E prostrando-se por terra, permaneceu por largo tempo, com a sua Irmã, repetindo a oração do Anjo: Santíssima Trindade..., etc. (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
2 – As Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos
Era 13 de maio de 1917. As três crianças, Lúcia, Francisco e Jacinta, apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém (hoje diocese de Leiria-Fátima), Portugal.
Já estava perto das 12 horas, haviam acabado de rezar seu habitual terço e brincavam de levantar uma pequena casa de pedras soltas (onde hoje está a Basílica).
De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol", de cujas mãos pendia um terço branco.
Casa de Francisco e Jacinta, em Valinhos (Fátima/Portugal)
A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e à mesma hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de junho, julho, setembro e outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria.
A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém.
Na última aparição, a 13 de outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a "Senhora do Rosário" e que fizessem ali uma capela em Sua honra.
Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em julho e setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.
Resumo das Mensagens em cada Aparição:
1ª Aparição – 13 de maio:“Não tenhais medo. Eu não vos faço mal”. “De onde é Vossemecê?” “Sou do Céu... e vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois, vos direi quem sou e o que quero...
Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?...
Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
Detalhe da Rua dos Valinhos (Fátima/Portugal)
2ª Aparição – 13 de junho:“Vossemecê que me quer?” “Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero...”
“Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu”. “Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração”
Foi no momento em que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela os pastorinhos viam como que submergidos em Deus. (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
3ª Aparição – 13 de julho:“Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer”. “Queria pedir-Lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece”. “Continuem a vir aqui todos os meses.
Em outubro direi Quem sou, o que quero e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar. Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.
Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. (...) Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. (…) Virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.
Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé. (...) Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
4ª Aparição - 19 de agosto: (nos Valinhos) “Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos acreditem”. “Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?” “Façam dois andores... O dinheiro dos andores é para a festa da Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda duma capela que hão de mandar fazer (...) Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
5ª Aparição – 13 de setembro:“Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra... Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia” (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
Quinta aparição de Nossa Senhora de Fátima (Portugal)
6ª Aparição – 13 de outubro: chovia muito. Estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Nossa Senhora aparece-lhes diz que é a "Senhora do Rosário" e que fizessem ali uma capela em sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em julho e setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.
Em poucos minutos todos ficaram secos, mesmo após quatro horas seguidas de muita chuva. “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias (...) Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.” E ao abrir suas mãos, fê-las refletir no sol. E, enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projetar-se no sol. (in Quarta Memória da Irmã Lúcia).
3 – As Aparições a Lúcia
Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de dezembro de 1925 e 15 de fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13 para 14 de junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de julho de 1917.
Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de verão e inverno, e agora cada vez mais nos fins de semana e no dia a dia, num montante anual de seis milhões. Este 2020, em virtude da pandemia, foi o primeiro ano que não tiveram peregrinos na celebração do 12 e 13 de maio.
Entretanto, o Santuário transmitiu todas suas celebrações nas TV’s portuguesas e online, para que os peregrinos do mundo inteiro pudessem estar presentes. Ao final da celebração do 13 de maio, uma carta do Papa Francisco aos peregrinos foi lida lembrando a mensagem de esperança deixada por Nossa Senhora deixou aos pastorinhos em 13 de junho de 1917: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
4 – O Segredo de Fátima
Você certamente já ouviu falar sobre os segredos de Fátima. São mensagens reveladas para os pastorinhos e que Nossa Senhora pediu que não contassem a ninguém e assim o fizeram – não revelando nem mesmo quando o Administrador os prendeu e ameaçou mandar fritar em azeite a ferver – sendo revelado por Lúcia em 31 de agosto de 1941, na carta escrita em Tuy ao Bispo D. José Alves Correia da Silva, quando ela diz ser "chegado o momento" de falar do segredo, acrescentando: “Bem; o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar”. (Abaixo o relato de Lucia)
1ª. Consta da visão do inferno “A primeira foi, pois, a vista do inferno! Nossa Senhora .... Ao dizer estas palavras, abriu de novo as mãos como nos dois meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo, mergulhados nesse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que deles mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo de todos os lados semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso, nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.
Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Esta visão foi um momento, e graças à Nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu. Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.”
*No jornal O Século, de 23 de julho de 1917, lia-se: ouviu-se um ruído semelhante ao ribombar do trovão, prorrompendo as crianças num choro aflitivo, fazendo gestos epiléticos e caindo depois em êxtase.
2ª. A Devoção ao Meu Imaculado Coração com a comunhão reparadora nos primeiros sábados e a Consagração da Rússia “Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz: a guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.
Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados.
Se atenderem a meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas: por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da fé(...)”
3ª Parte do segredo. Quanto à terceira parte do segredo, encontrando-se Lúcia doente, em Tuy, descreveu-a em 3 de janeiro de 1944, também por ordem do Bispo de Leiria, entregando-a num envelope fechado. Lúcia diz nessa carta:
“Escrevo em ato de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia. Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.
Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.
Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meio em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições.
Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em à mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.”
INTERPRETAÇÃO DO “SEGREDO”
Encontro de Irmã Lúcia com o Papa João Paulo II
Em encontro da Irmã Lúcia com o Papa João Paulo II, eles discutiram sobre a terceira parte do segredo de Fátima estar intimamente vinculado com o atentado sofrido pelo santo padre em 13 de maio de 1981.
O encontro da Irmã Lúcia com Sua Ex.cia Rev.ma D. Tarcisio Bertone, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. A Irmã Lúcia estava lúcida e calma, dizendo-se muito feliz com a ida do Santo Padre a Fátima para a Beatificação de Francisco e Jacinta, há muito desejada por ela.
Com o auxílio do Bispo de Leiria-Fátima, foi lido e interpretado o texto original (da terceira parte do segredo), que é em língua portuguesa. A Irmã Lúcia concorda com a interpretação segundo a qual a terceira parte do “segredo” consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada. Ela reafirma a sua convicção de que a visão de Fátima se refere sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos, e descreve o imane sofrimento das vítimas da fé no século XX.
À pergunta: “A personagem principal da visão é o Papa?”, a Irmã Lúcia responde imediatamente que sim e recorda como os três pastorinhos sentiam muita pena pelo sofrimento do Papa e Jacinta repetia: “Coitadinho do Santo Padre. Tenho muita pena dos pecadores!” A Irmã Lúcia continua: “Não sabíamos o nome do Papa; Nossa Senhora não nos disse o nome do Papa. Não sabíamos se era Bento XV, Pio XII, Paulo VI ou João Paulo II, mas que era o Papa que sofria e isso fazia-nos sofrer a nós também”.
Quanto à passagem relativa ao Bispo vestido de branco, isto é, ao Santo Padre — como logo perceberam os pastorinhos durante a “visão” — que é ferido de morte e cai por terra, a irmã Lúcia concorda plenamente com a afirmação do Papa: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte” (João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, 13 de maio de 1994).
Uma vez que a Irmã Lúcia, antes de entregar ao Bispo de Leiria-Fátima de então o envelope selado com a terceira parte do “segredo”, tinha escrito no envelope exterior que podia ser aberto somente depois de 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria, o Senhor D. Bertone pergunta-lhe: “Porquê o limite de 1960? Foi Nossa Senhora que indicou aquela data?”.
Resposta da Irmã Lúcia: “Não foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intuição minha, antes de 1960 não se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa”.
Encerrando o encontro da Lucia com o Papa, houve a celebração da Santa Missa presidida por João Paulo II com a presença do Cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado, pronunciou em português as palavras seguintes:
“Embora os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima pareçam pertencer já ao passado, o apelo à conversão e à penitência, manifestado por Nossa Senhora ao início do século vinte, conserva ainda hoje uma estimulante atualidade.
“A Senhora da Mensagem parece ler com uma perspicácia singular os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo. (...) O convite insistente de Maria Santíssima à penitência não é senão a manifestação da sua solicitude materna pelos destinos da família humana, necessitada de conversão e de perdão” [João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial do Doente - 1997 n. 1, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XIX-2 (Città del Vaticano 1996), 561].”
5 – Cronologia
22-03-1907 – Nascimento de Lúcia de Jesus.
11-06-1908 – Nascimento de Francisco Marto.
11-03-1910 – Nascimento de Jacinta Marto.
1916 - Aparições do Anjo, na primavera, verão e outono.
1917 - Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria nos dias 13 dos meses de maio, junho, julho, setembro e outubro; em agosto, no dia 19, nos Valinhos.
04-04-1919 – Morte do vidente Francisco Marto, em Aljustrel, vítima da epidemia da Febre Espanhola.
Túmulo de do vidente Francisco Marto
28-04-1919 - Início da construção da Capelinha das Aparições.
20-02-1920 – Morte da vidente Jacinta Marto, no Hospital de Dª Estefânia, em Lisboa, vítima da epidemia da Febre Espanhola.
Túmulo de Santa Jacinta Marto e Irmã Lúcia, dentro da Basílica de Nossa Senhora do Rosário
16-06-1921 – Lúcia vai para o Porto para o Instituto entregue às Religiosas de Santa Doroteia.
13-10-1921 - É permitida a primeira celebração da Missa junto à Capelinha das Aparições.
06-03-1922 - A Capelinha das Aparições é parcialmente destruída num atentado – sendo restaurada um ano depois.
03-05-1922 – Abertura do processo canônico sobre os acontecimentos de Fátima.
10-12-1925 – Aparição de Nossa Senhora à Lúcia pedindo a devoção dos Cinco Primeiros Sábados, em Pontevedra, Espanha.
15-02-1926 (e 17-12-1927) – Aparição do Menino Jesus insistindo na Devoção dos Cinco Primeiros Sábados, em Pontevedra, Espanha.
26-06-1927 - O Bispo de Leiria preside, pela primeira vez, a uma cerimónia oficial na Cova da Iria, depois da bênção das estações da Via-Sacra, desde o Reguengo do Fetal (11 Kms).
13-05-1928 - Lançamento da primeira pedra da Basílica.
13-06-1929 - Lúcia tem a visão da Santíssima Trindade e do Imaculado Coração de Maria, com o seu Coração cercado de espinhos, pedindo ao Santo Padre a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, em união com todos os Bispos do Mundo, em Tuy, Espanha.
Santuário Nossa Senhora de Fátima (Portugal)
13-10-1930 - Pela Carta Pastoral "A Divina Providência", o Bispo de Leiria declara "dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria" e permite oficialmente o culto de Nossa Senhora de Fátima.
13-05-1931 - Primeira Consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria, feita pelo Episcopado Português, no seguimento da Mensagem de Fátima.
13-10-1942 – As mulheres portuguesas oferecem uma coroa preciosa à Nossa Senhora em agradecimento por Portugal ter sido livre da II Guerra Mundial.
31-10-1942 - Pio XII, falando em português pela rádio, consagra o Mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção velada da Rússia, segundo o pedido de Nossa Senhora.
13-05-1947 – Imagem Peregrina inicia viagem pelos países da Europa, destruídos pela guerra.
07-07-1952 - Consagração dos Povos da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa Pio XII.
07-10-1953 - Sagração da Igreja do Santuário de Fátima.
12-11-1954 - O Papa Pio XII concede o título de Basílica menor à Igreja do Santuário.
21-11-1964 - Ao encerrar a 3ª sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, o Papa Paulo VI anuncia diante dos 2.500 padres conciliares, a concessão da Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima.
13-05-1967 - O Papa Paulo VI desloca-se a Fátima, no cinquentenário da 1ª Aparição de Nossa Senhora, para pedir a paz no mundo e a unidade da Igreja. A Irmã Lúcia desloca-se a Fátima.
12/13-05-1982 - O Papa João Paulo II vem em peregrinação a Fátima agradecer por ter escapado com vida, um ano antes, na Praça de S. Pedro, e, de joelhos, consagra a Igreja, os Homens e os Povos, com menção velada da Rússia, ao Imaculado Coração de Maria.
12/13-05-1991 - O Papa João Paulo II vem pela segunda vez a Fátima, como peregrino, no 10º aniversário do seu atentado na Praça de S. Pedro, no Vaticano, presidindo à Peregrinação Internacional Aniversária.
04-06-1997 - A Assembleia da República Portuguesa eleva a Vila de Fátima à categoria de cidade.
13-05-2000 - Beatificação de Francisco e Jacinta Marto, por ocasião da 3ª visita do Papa João Paulo II a Fátima.
13-02-2005 - Falecimento da Ir. Lúcia.
02-04-2005 - Falecimento de João Paulo II.
13-02-2008 - O Papa Bento XVI autorizou abreviar o prazo canônico para abertura do processo de beatificação da Irmã Lúcia. O anúncio foi feito pelo Cardeal D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos.
12/14-05-2010 - Peregrinação a Fátima do Santo Padre Bento XVI, que entrega a 2ª Rosa de Ouro ao Santuário.
13-05-2013 – Consagração do Pontificado do Papa Francisco a Nossa Senhora de Fátima.
13-05-2017 – Comemoração do Centenário das Aparições de Fátima e Canonização de Santa Jacinta e São Francisco Marto.
04-04-2019 – Celebração do Centenário da Morte de São Francisco Marto.
20-02-2020 – Celebração do Centenário da Morte de Santa Jacinta Marto.
13-05-2020 – Primeira vez que a Celebração do 13 de Maio é realizada sem a presença dos peregrinos, em virtude da Pandemia causada pelo Coronavírus.
Procissão luminosa- Nossa Senhora de Fátima (Fátima/Portugal)
Santíssima virgem que nos montes de Fátima Vos dignastes a revelar a três humildes pastorinhos os tesouros de graças contidas na prática do vosso Rosário, incuti profundamente em nossa alma o apreço, em que devemos ter esta devoção, para Vos tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da nossa Redenção que nela se comemora, nos aproveitemos de seus preciosos frutos e alcancemos a graça, que Vos pedimos nesta oração, se for para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Amém!
Imagine a sensação de andar pelo mesmo lugar que Jesus andou.
Quando entramos em Cafarnaum temos a sensação de sermos transportados para um outro momento, diferente da agitação comum com prédios e grandes monumentos que nossos olhos já se acostumaram a ver.
Cafarnaum, a cidade de Jesus (Israel)
E para vivermos toda a experiência que Cafarnaum pode nos propiciar, precisamos de duas coisas:
Imaginação e conhecimento
Se você está disposto a se enveredar de casa pelas ruas dessa pequena cidade e saber a importância que ela teve, e tem, na vida de Jesus e consequentemente na nossa, então te convido a conhecer Cafarnaum e enriquecer o seu conhecimento e tudo o que você já ouviu falar sobre esta famosa cidade .
Peregrinos em Cafarnaum (Israel)
Como já disse, primeiro precisamos usar nossa imaginação. Sim, porque hoje Cafarnaum é um sítio arqueológico, o que significa que vamos nos deparar com muitas ruínas e partes de edificações ou partes de objetos. E é exatamente nessas partes que devemos pensar: Como era Cafarnaum na época de Jesus?
O primeiro caminho para deixarmos nossa imaginação fluir já está pronto, temos tudo o que foi encontrado em anos de escavações. Então, vamos partir para o entendimento do que essas descobertas significam.
Sinagoga de Cafarnaum (Israel)
Onde fica Cafarnaum?
Ao Norte de Israel, mais precisamente a noroeste do Mar da Galileia, é onde fica a cidade de Cafarnaum. Pelas ruínas da cidade podemos ver que Cafarnaum era uma cidade muito pequena para nossos parâmetros atuais, mas no tempo em que Jesus esteve lá, ela era uma cidade de grande importância.
Além de ser uma cidade portuária, ela também era ponto de passagem de todos os mercadores vindos de outras regiões e esses tinham que passar pela alfândega de Cafarnaum e lá pagavam os impostos.
Sinagoga de Cafarnaum (Israel)
O que aconteceu em Cafarnaum?
Cafarnaum é conhecida como a cidade de Jesus. Mas o que teria acontecido para que a cidade ganhasse esse título? Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus deixou Nazaré e teria ido morar em uma cidade a beira mar, que se entende como o Mar da Galileia.
Essa escolha aconteceu quando Jesus soube que João havia sido preso, então ele volta à Nazaré, na Galileia, mas não continuou morando lá, acaba ficando em Cafarnaum.
Casa de São Pedro, em Cafarnaum (Israel)
Cafarnaum na Bíblia
Alguns estudiosos dizem que a razão da escolha de Jesus pela cidade pode ter vindo de um possível parentesco entre Jesus e alguns habitantes da cidade. No evangelho de Mateus (4,21), João e Tiago são chamados de filhos de Zebedeu.
Eles eram pescadores e moravam em Cafarnaum. Mateus ainda descreve sua mãe, a mulher de Zebedeu, como uma das seguidoras de Cristo que ficou ao pé da cruz (Mateus 27,56).
Em Marcos, pode-se entender que essa mesma mulher se chamava Salomé. E João complementa que ela seria a irmã de Maria, mãe de Jesus, (Marcos 15,40 e João 19,25).
Se essa hipótese for correta, existe a possibilidade da tia de Jesus ter morado em Cafarnaum. E nesse caso João e Tiago seriam primos diretos de Jesus. As teorias que envolvem a escolha da cidade são bastante interessantes, mas o mais relevante foram os acontecimentos que toda a população de Cafarnaum pode presenciar e que ecoam como ensinamentos para nós.
A importância de Cafarnaum
Banhada pelo Mar da Galileia, que não é exatamente um mar, mas o nome ficou convencionado assim pela abundância de águas que se assemelham ao mar, está Cafarnaum.
E essas águas tiveram relação com grandes feitos da vida de Jesus. Há dois mil anos enquanto passava por pescadores comuns, Jesus fez o chamado àqueles que seriam seus apóstolos.
Vemos essa passagem em Mateus (4, 18-19) quando lemos:
“ E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores; E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”
Mar da Galileia (Israel)
Os chamados realizados em Cafarnaum se multiplicavam e outros foram chamados para serem “pescadores de homens”. Naquela cidade o ministério de Jesus se frutificava e lá também moravam Pedro, Tiago, João e Mateus, o coletor de impostos.
Podemos imaginar como eram dados os ensinamentos de Jesus naquela época, e para isso devemos avançar mais um pouco pelos caminhos da cidade.
A Sinagoga de Cafarnaum
Andando pelo sítio arqueológico de Cafarnaum, mais precisamente no centro da pequena cidade, você vai encontrar as ruínas de uma Sinagoga.
Mas essa não é qualquer ruína, nem qualquer Sinagoga. Era ali que Jesus, aos sábados, professava seus ensinamentos.
Sinagoga de Cafarnaum (Israel)
Continuamos com nosso exercício de atentar nossos olhos para o que estamos vendo e para isso a primeira coisa a fazer é perceber que a construção que vemos hoje é a de uma Sinagoga construída no século IV. No entanto, se olharmos atentamente há uma distinção nas pedras das construções, isso porque esta sinagoga foi construída na base da sinagoga do século I, em outras palavras, que era o local onde Jesus pregava.
Sinagoga de Cafarnaum (Israel)
Neste local Jesus encantava a todos com sua eloquência e com seus ensinamentos, não demorou para que percebessem que ele tinha um jeito particular ao ensinar, e sua fama se seguiu por todos os cantos.
Cafarnaum e a casa de Pedro
Continuamos a passar pelos caminhos que Jesus passou, e olhando para cada pedra, nos lembramos daquele tempo e de todos os acontecimentos ocorridos ali, em Cafarnaum.
Percorrendo o mesmo caminho de Jesus, que saiu da sinagoga e foi até a casa de Pedro, podemos ver o local onde aconteceu o milagre da cura da sogra de Pedro (Lucas 4,38-39). Hoje, vemos uma igreja moderna que foi construída em 1990.
Cafarnaum, em Israel
E abaixo dela temos a sobreposição de três edificações.
No primeiro nível há uma casa feita de pedras basáltica e datada do tempo de Jesus. Ali havia uma casa que depois foi transformada em uma igreja do lar, o que era comum na época, e por cima desta foram construídas duas igrejas.
Casa de São Pedro, em Cafarnaum (Israel)
Além disso, em escavações posteriores foram encontrados objetos que comprovaram que naquela casa morava um pescador. Mas o que leva a crer que seria Pedro?
Casa de São Pedro, em Cafarnaum (Israel)
Mesmo com as construções posteriores, acredita-se que a casa tenha sido de Pedro já que existem documentos com relatos de séculos distintos de pessoas que passaram por Cafarnaum e relatam que visitaram o local que teria sido a casa de Pedro.
É muito emocionante olhar para um lugar onde Jesus pode ter feito suas refeições e até mesmo dormido, não é!?
São Pedro (Cafarnaum/Israel)
Os milagres de Cafarnaum
A emoção de entramos em contato com a vida e os lugares de Jesus nos faz querer conhecer mais e imaginarmos os detalhes. Cafarnaum foi um lugar onde muitos milagres aconteceram, além da cura da sogra de Pedro, foi também cenário da libertação de um homem endemoninhado (Lucas 4, 35), da cura do paralítico (Marcos 2,2-12) e da cura da filha de Jairo (Marcos 5, 41-42).
Casa de São Pedro, em Cafarnaum (Israel)
Passamos poucos minutos para termos uma ideia do que aconteceu em Cafarnaum, e mesmo visitando o local podemos rapidamente, em uma manhã, vermos os principais pontos que estiveram relacionados à vida de Jesus.
Cafarnaum, em Israel
Além disso, da mesma forma que não podemos entender Cafarnaum pelo simples olhar superficial.
Isso porque aquelas pedras mostraria só antigas pedras, também devemos ajustar nosso olhar para as palavras do filho de Deus e nelas nos aprofundarmos, para que não sejamos impenitentes como o povo de Cafarnaum foi, pois, mesmo ouvindo as boas novas da salvação do próprio Jesus, ainda assim, não se resignaram e pela falta de fé foram vistos em declínio até a cidade chegar a ser desabitada no séc. V. (Mateus 11, 23,24; Lucas 10,15).
Quando percorremos os caminhos de Jesus somos levados a momentos de muitas emoções e reflexões. Peregrinando de Casa pela Terra Santa nos sentimos mais próximos dos ensinamentos de nosso Pai. Por isso, o texto de hoje vai nos levar à Jerusalém, mais especificamente ao Monte das Oliveiras. Vamos percorrer o monte até chegarmos ao nosso destino: A igreja do Pai Nosso.
Igreja do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
Um lugar repleto de significado
Iniciamos nosso caminho pelo Monte das Oliveiras. O monte tem esse nome por conta dos bosques de oliveiras que cobrem a colina leste da Antiga cidade de Jerusalém. Quando percorremos o Monte das Oliveiras, estamos percorrendo um dos lugares mais importantes dos arredores de Jerusalém. Sabemos da extrema importância deste local na vida de Jesus Cristo. Foi desse monte que Jesus profetizou que o Templo iria cair ( Lucas 19, 41-44).
E após ter celebrado a última ceia, Jesus foi para o Getsêmani, que fica ao pé do Monte, para rezar ( Marcos 14, 26-42). Dos muitos acontecimentos passados no Monte das Oliveiras, também há a ida de Judas junto aos soldados para prender Jesus próximo ao jardim ( João 18, 1-12). E foi do topo do monte que Jesus ascendeu aos céus (Atos 1: 6-12).
Sabemos que o Monte das Oliveiras é repleto de lembranças e ensinamentos. E em seu topo encontramos a Igreja do Pater Noster. Foi lá que Jesus ensinou a oração do Pai Nosso. Mas antes de adentramos metaforicamente à igreja do Pai Nosso, vamos nos lembrar da importância da oração que o Senhor nos ensinou.
Peregrinos SacraTour na Igreja do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
O poder da oração
No Evangelho de Lucas temos o momento em que Jesus ensina a oração do Pai Nosso aos discípulos:
“E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos. E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu.” (Lucas 11, 1-2)
Momento de Oração na Gruta do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
É interessante pensar que os discípulos estando ali tão próximos a Jesus, poderiam ter pedido qualquer coisa. Poderiam ter pedido que Jesus os ensinasse a multiplicar pães, curar enfermos, ou qualquer outra necessidade mundana. Mas sabiamente os discípulos pediram que Jesus os ensinasse a rezar, assim como Ele fazia. Isso quer dizer, eles queriam aprender ao máximo com Jesus e esse aprendizado foi eternizado.
Momento de Oração na Gruta do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
Os ensinamentos de Jesus vindo por meio da oração do Pai Nosso foram arrebatadores. Nós sabemos que a oração é classificada como o centro das Escrituras e serve como um modelo para as orações cristãs.
Um momento de união
Dizem que quando rezamos estamos conversando silenciosamente com Deus. Não importa a altura da sua voz, ao rezar, sua conexão se faz por meio da aliança com Deus. E assim é a oração; é através dela que nos entregamos e entregamos nossos anseios, graças e aflições.
Momento de Oração na Gruta do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
A oração do Pai Nosso, além de ter desígnios e ensinamentos essenciais, também nos emociona profundamente. Se deixarmos de lado a repetição desprovida de sentido e a forma maquinal de rezar, podemos sentir um maravilhamento vindo da oração. Pois a entrega que fazemos ao rezar o Pai Nosso, nos faz sentir em união. Não é a toa que estamos falando da oração que o Senhor nos ensinou!
O poder da simplicidade
Em poucas linhas, em poucos minutos, temos os ensinamentos mais profundos, o essencial para os cristãos. No início da oração do Pai Nosso, oramos para que sejamos levados em Sua direção; com a Santificação do Seu nome, com a vinda do Seu reino junto a nós. E que haja a predominância da Sua vontade. Seguimos pedindo pela misericórdia do olhar do Pai para que tenhamos o pão da alma e o pão da vida. Pedimos o perdão para nós e somos lembrados do perdão que devemos conceder a quem nos tenha ofendido. E, lembrando da nossa pequenez, pedimos que o Senhor nos proteja das tentações para que fiquemos livres de todo o mal.
As poucas palavras ditas na oração do Pai Nosso nos levam a refletir sobre nossas necessidades e fortalecem nosso elo de amor e confiança com nosso Criador. Para saber mais sobre o momento do ensinamento da oração, vamos voltar ao local em que ela foi ensinada.
A igreja do Pai Nosso
Andando pelas ruas da antiga Jerusalém, em direção à Igreja do Pai Nosso, nem imaginamos que ao passarmos por uma pequena porta, encontramos um lugar tão bonito e que inspira tanta paz. Passamos pela pequena porta e entramos nesse complexo hoje administrado pelas irmãs carmelitas chamado Igreja do Pai Nosso (também conhecida como Pater Noster).
No século IV d.C., no ano de 326, o imperador Constantino mandou construir, no local que guardava a Gruta onde Jesus ensinou o Pai Nosso, uma imponente basílica. A construção foi um pedido de sua mãe, Helena. A igreja que visitamos hoje já passou por algumas reformas.
Na invasão persa do ano de 14 foi destruída e depois uma outra foi erguida pelos Cruzados. Em meio a tantas marcas da História, o que nos salta aos olhos, são as paredes cobertas de painéis de cerâmica com mais de setenta inscrições em línguas diferentes com a oração do Pai Nosso. Depois que passamos pela Gruta e geralmente dedicamos um monte para fazermos a oração do Pai Nosso, ainda podemos seguir por corredores repletos das orações do Pai Nosso em diferentes idiomas.
Pai Nosso escrito em todas as línguas na parte externa da Igreja do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
Por receber peregrinos do mundo todo, é muito comum vermos as pessoas ansiosas para acharem a placa que tem a oração com o idioma de seu país.
Pai Nosso escrito em português, na Igreja do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
Quando encontramos, nossa vontade é logo de registrar esse momento! Nossos peregrinos adoram essa foto!
Peregrinas SacraTour na Igreja do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
A gruta do ensinamento
Andar em meio às várias placas com a oração do Pai Nosso, em línguas diferentes, nos faz pensar no imenso alcance dessas palavras e na força que tem a oração. Mas o local que mais toca nosso coração não é tão iluminado nem tão amplo. Estamos falando da Gruta onde a oração foi ensinada.
Gruta do Pai Nosso (Jerusalém/Israel)
A tradição nos conta que Jesus ensinou a oração do Pai Nosso a seus discípulos em uma gruta. Esse local tão emblemático para nós é chamado de Gruta do ensinamento. Acredita-se que Jesus tenha estado nessa gruta com seus discípulos muitas vezes, lá muitos mistérios teriam sido instruídos. A Bíblia nos conta que o ato de ensinar a oração aos discípulos não foi programado, Jesus a realizou devido a um pedido espontâneo.
Neste local nasceu a oração que acompanha os cristãos desde os primórdios da fé. Uma oração que também nos mostra que não estamos sozinhos, assim como nos diz Mateus em seu Evangelho ( Mt 6, 8-9) “… o vosso Pai sabe do que precisais, antes de vós o pedirdes. Vós, portanto, orai assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome…”